Pedro Duarte
Presidente da Câmara Municipal do Porto

Por malha entendemos uma estrutura densa de elementos interligados, que formam uma rede. A sua força não está em cada elemento isolado, mas na forma como eles se cruzam e se sustentam mutuamente. É essa relação entre as partes que dá sentido ao todo e confere a cada elemento a sua identidade.
Malha é, neste sentido, uma poderosa metáfora de um sistema complexo de conexões e interdependências que nos dá uma visão holística de uma determinada realidade. É, por isso, o nome certo para o programa de comemorações dos 30 anos da classificação do Centro Histórico portuense como Património Mundial da Humanidade e dos 25 anos da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. Pela forma como os seus efeitos, significados, ruturas e legados se entrelaçam, os dois acontecimentos devem ser compreendidos em conjunto, como uma força transformadora da cidade.
Mas o alcance simbólico desta ideia vai ainda mais longe. O título completo do programa de comemorações – MALHA. Porto, Património de Pessoas – convida-nos a olhar não apenas para as obras ou os marcos institucionais, mas também para aquilo que, sendo menos visível, é talvez mais profundo: os fios invisíveis que ligam as pessoas entre si e à cidade. Há qualquer coisa de difícil de nomear, quase misteriosa, que habita esta relação dos portuenses com o Porto. Uma forma de pertença que não se esgota na memória, nem na geografia, nem sequer na História, mas que se sente de forma muito viva.
Este programa une justamente estas duas vertentes. Por um lado, revisita as marcas deixadas por estes dois acontecimentos e a evolução que ajudaram a desencadear no Porto. Por outro, celebra a rede de vínculos, memórias e pertenças que liga os portuenses entre si, levando a cultura, o pensamento e a participação a toda a cidade, sem deixar ninguém de fora. Porque, como numa malha, também a cidade só se torna inteira quando é pensada e construída como um todo.